GPA cria rede para ser competitiva como regionais

Avaliação:

(16 Avaliações)

Por Alessandra Morita -

Companhia quer que a divisão Compre Bem seja atendida pelo fornecedor dentro da mesma estrutura que as empresas locais

Savegnago, Nagumo, Lopes, Shibata, Chama, Leve Mais, Tauste. Essas são algumas redes do Estado de São Paulo que, a partir do segundo semestre, poderão concorrer diretamente com a marca de supermercados Compre Bem. A bandeira está sendo relançada pelo GPA especialmente para enfrentar as empresas regionais do varejo alimentar. A ideia é rodar um piloto, convertendo 20 supermercados Extra para a nova bandeira ainda neste ano, a partir do final de agosto ou início de setembro. O objetivo do projeto é ter uma operação igual à das redes que atuam regionalmente e que atraíram a atenção da gigante varejista pelo expressivo avanço em vendas. Para se ter uma ideia, as redes regionais elevaram o faturamento em 7,1% real em 2016 e em 4,6%, também real, no ano passado, apesar da deflação de alimentos, conforme dados do 47º Ranking de SM. Mas, afinal, o que uma companhia que tem um imenso poder de barganha como o GPA almeja nos regionais? 

“Sortimento individualizado, serviço forte no açougue e nos perecíveis em geral, simplicidade e proximidade com o cliente”, cita Belmiro Gomes, presidente do Assaí e agora também do Compre Bem. Outro ponto importante é a agilidade. Nas redes regionais, o dono está mais próximo ou há maior autonomia da loja para decidir, enquanto nas grandes corporações as decisões costumam ser mais centralizadas e passar por muitos níveis hierárquicos. Segundo Gomes, é por esse motivo que se criou uma empresa independente, com estrutura, CNPJ e equipes próprias de operação, comercial, marketing e logística. “A ideia é sermos mais ágeis desde o cadastramento de produtos até a definição do preço de venda”, diz o executivo. 

Gomes também afirma que o modelo de precificação será menos focado no high low (ofertas constantes, como acontece nas bandeiras Extra Hiper e Extra Supermercado) e que a política comercial será mais estável. O presidente do Compre Bem e do Assaí explica que as compras serão totalmente independentes, o que inclui também as categorias básicas de mercearia. Segundo ele, a ideia é que a nova divisão seja atendida pelo fornecedor dentro da mesma estrutura criada para as redes regionais. Isso significa que a divisão Compre Bem vai abrir mão da escala adquirida pelo Grupo? Segundo consultores ouvidos por SM, isso não deve acontecer. O time comercial deverá pressionar o fornecedor por condições semelhantes às do Assaí ou do Multivarejo, que são muito difíceis de serem alcançadas pelos regionais. 

Apesar da vantagem comercial, o projeto enfrenta desafios. “O GPA não tem expertise no modelo regional”, afirma um especialista, que preferiu não se identificar. De acordo com ele, é provável que, após rodar os pilotos por algum tempo, seja necessário promover ajustes. “Acredito que o modelo ainda não esteja totalmente redondo. Muitas das redes com as quais eles pretendem concorrer atuam fortemente no high low”, avalia. 

Entre as fortalezas dos regionais, diz esse consultor, está a grande concentração de lojas numa localidade. Para entender o raciocínio: enquanto um regional pode ter 10 lojas numa região específica, o GPA vai ter apenas uma unidade na cidade, por exemplo. Em outras palavras, as redes locais têm uma boa cobertura de mercado, o que ajuda a diluir alguns custos, como a distribuição de tabloides de ofertas, por exemplo – estratégia que o GPA pretende adotar no Compre Bem, uma vez que não haverá divulgações da marca em veículos de massa. 

Custo baixo, aliás, é uma das propostas do Compre Bem. As lojas deverão ter despesas 20% inferiores a um Extra Supermercado. “Olhamos linha a linha para identificar onde era possível diminuir o custo sem prejudicar o serviço”, afirma Sérgio Leite, diretor-executivo do Compre Bem. Algumas frentes são o recebimento de perecíveis diretamente na loja e a otimização de gastos com energia, entre outras. 

As unidades Compre Bem terão cerca de 1.700 m2 e contarão com 7.000 itens no sortimento. Os perecíveis representarão em torno de 35% a 40% do mix. “Esses produtos são responsáveis pela fidelização dos consumidores. Por isso, teremos, por exemplo, atendimento no açougue, com cortes na hora para o cliente. Nosso foco será a compra repositora”, explica Leite. O investimento na conversão das lojas vai girar em torno de R$ 100 milhões a R$ 130 milhões nas 20 unidades. A companhia avalia que cerca de metade das 187 lojas Extra Supermercado poderão se transformar em Compre Bem. 

 

Veja mais sobre: GPA, redes regionais, Compre Bem

Comentários

Comentar com:
Publicidade

ENQUETE

Com soluções diferenciadas e muitas vezes a um custo mais acessível, as startups têm ajudado empresas de diferentes setores a resolver os problemas mais diversos. Diante disso, você já pensou em ter uma startup como parceira do seu supermercado?

GPS - Guia prático de sortimento

Aqui você pode navegar por todas as seções e categorias de produtos. Utilize um dos filtros abaixo para visualizar as informações:

BUSCAR
Publicidade