Lemann diz que é um "dinossauro apavorado", mas que luta para se reinventar

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Por Redação SM -

Homem mais rico do Brasil afirma que viveu por muitos anos em um "mundo aconchegante", onde bastava administrar com eficiência. Hoje, conta que suas empresas precisam reagir e se adaptar

No passado, bastava ter uma marca sólida e investir em eficiência para garantir o sucesso de um negócio. Hoje, essa fórmula não funciona mais e empresas dos setores tradicionais, como de bebida e alimentação, precisam lutar para descobrir as novas demandas dos clientes e acompanhar as mudanças. A reflexão é do empresário brasileiro Jorge Paulo Lemann, fundador e sócio do 3G — que controla empresas como Anheuser-Busch, Kraft Heinz e Burger King. Lemann, que dificilmente aparece em público ou concede entrevistas, participou do painel "Estratégia e Liderança em Uma Era de Disrupção", na conferência anual do Instituto Milken, em Los Angeles, no dia 30 de abril.  

No painel, Lemann foi questionado por Adam Lashinsky, editor da Fortune, sobre como suas empresas encararam a inovação por décadas e a veem hoje estando em indústrias "antigas", como a de cerveja e alimentação. Ao responder, o empresário de 78 anos começou falando sobre como as mudanças afetaram a si mesmo. "Eu sou um dinossauro apavorado, especialmente depois dessa conferência. Eu assisti a um painel sobre alimentos ontem e eles só falaram sobre novos produtos e novas formas de produzir. Depois, fui a outro painel sobre inteligência artificial onde todo mundo falava muito sobre análise de dados e coisas assim", disse. 

 

Lemann afirmou que viveu por muitos anos em um "mundo aconchegante de marcas antigas e volumes grandes, em que nada mudava drasticamente" e no qual "você podia apenas focar em ser mais eficiente e tudo ficava bem". "De repente, nós estamos sendo ‘disrupted’ de todas as formas. Se você vai a um supermercado, vê centenas de novas marcas na prateleira. O cliente já não quer sair mais de casa, quer tudo entregue na casa dele. Em cerveja, houve todas essas novas marcas [artesanais] entrando no setor. Estamos sendo afetados por tudo", disse. 

Quando Adam Lashinsky citou aquilo que sempre foi considerado um dos pontos fortes do 3G, a "administração muito eficiente" de empresas, Lemann respondeu: "Mas as pessoas também nos criticam por isso". Durante o painel, o empresário brasileiro citou a Nike, Starbucks e Zara como empresas que vieram de setores tradicionais (commodities) e souberam se reinventar por realizar "um bom trabalho entendendo o que seus consumidores desejam hoje". "Temos que ir nessa direção", diz. 

Diante de tantas transformações e mudanças, o empresário afirmou que suas empresas "estão correndo para se ajustar" — já que, por muito tempo, ficaram "presas às mesmas formas de fazer as coisas". "Compramos marcas e achamos que elas durariam para sempre. Tomamos muito dinheiro barato emprestado porque o dinheiro era barato. Isso funcionou muito bem. A gente só administrava aquilo de forma um pouco mais eficiente, mas agora temos que nos ajustar totalmente às novas demandas dos clientes, clientes que hoje são muito mais volúveis — eles querem produtos diferentes todos os dias, querem que seja entregue de uma forma mais fácil. Nós realmente temos que nos adaptar."

Ele citou um episódio onde notou claramente a mudança no mercado de cerveja, explicando que a Anheuser Busch "demorou a reagir". "Nós fizemos uma reunião do conselho num restaurante em que havia 200 marcas de cerveja artesanal e nenhuma nossa. Ficamos surpreesos. Mas nós reagimos. Compramos 20 empresas de cerveja artesanal, contratamos novos caras e estamos aprendendo muito com eles. Nos mercados internacionais, não nos surpreenderemos mais. Se uma cerveja artesanal aparecer na Argentina ou no Brasil e parecer boa, vamos comprar na hora."

Outro exemplo de mudança interna da companhia, segundo Lemann, foi a criação da Zx Ventures. A divisão que a Ambev criou para obter a agilidade de uma startup – e tentar buscar alternativas que garantam seu futuro, no setor de bebidas ou fora dele. "A missão da Zx é lidar com essas rupturas e ‘disrupt’ nós mesmos. Contratamos gente nova, de todos os tipos: gente mais jovem, gente mais voltada para o digital, mais voltada para dados, e queremos que esse seja um modelo que a gente possa replicar nas nossas outras empresas. Estamos lutando." 

Fonte: Época Negócios

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